18.6.05

EUGÉNIO




ADEUS


Como se houvesse uma tempestade

Escurecendo os teus cabelos

Ou se preferes, a minha boca nos teus olhos,

Carregada de flor e dos teus dedos;


Como se houvesse uma criança cega

Aos tropeções dentro de ti,

Eu falei em neve, e tu calavas

A voz onde contigo me perdi.


Como se a noite viesse e te levasse,

Eu era só fome o que sentia;

Digo-te adeus, como se não voltasse

Ao país onde o teu corpo principia.


Como se houvesse nuvens sobre nuvens,

E sobre as nuvens mar perfeito,

Ou se preferes, a tua boca clara

Singrando largamente no meu peito.


Eugénio de Andrade

Comments:
O que me encanta em alguns poetas/poemas é esta extraordinária coincidência entre emoção e rigor.
Um abraço, poeta!
risocordetejo
 
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