14.5.05

GUANTÁNAMO




Apetecia escrever sobre os sobreiros de Benavente. Apetecia ficar sempre calado.
Apetecia percorrer um país de plástico nas margens. E quase chorar.
Apetecia descobrir qualquer coisa na Idanha ou no Vimioso. E ficar calado.
Apetecia adormecer sobre as águas paradas de Portugal. E chorar de novo.
Apetecia outra República, outros partidos, um arco-íris. E névoa sobre os barcos.
Apetecia limpar os mentirosos , os corruptos. E deixar de vê-los nos ecrãs.

Mas hoje perdura a notícia de Guantánamo e do Corão correndo na sanita. Choramos.
Percorremos o Afeganistão e, por dentro das papoilas-de-ópio,adormecemos.Com eles.
E deixamos este país na margem, como um rectângulo de feno para o mar.




Comments:
Apetecia que este belo poema fosse só um belo poema não ancorado numa impossívgel realidade. E no entanto, mesmo não acreditando... que as há, há...
risocordetejo
 
Três abraços do Luís Moutinho, pela partilha destas inquietações.
 
Vale a pena ler o artigo de António Barreto no PÚBLICO de hoje. A corrupção está no sangue. A Justiça está ausente.
 
A corrupçao é um mal que não devemos deixar de combater.
Também não podemos deixar de mostrar nosso repúdio ao acontecido em Guantanamo.
 
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