5.6.06

OLEIRO - 2




2.

Vamos ao fundo do rio, quando as águas amansam para dentro
como o vale que se recolhe no lugar antigo dos primeiros veios.
É o lugar húmido do lodo, das ervas amansadas, dos fios verdes
que se estendem para lá das raízes que nascem nas margens.

Aparece uma curva de argila, um raio de sol que bate nela.
O movimento brando do leito traz a luz de longe, o sopro
das cavidades ocultas na pedra mais fria da nascente.
Pode ser o brilho da mica que restou das areias antigas.

Ou uma folha da montanha que recolheu o sol do meio-dia
e petrificou um raio para poder guardar todas as lembranças
da infância e da vida breve que teve no lugar alto da serra.
Ou um fio da coroa mais quente de um planeta por descobrir.

Comments:
muito interessante seu blog!
grande abraço
 
Doces momentos mansos como só a poesia traz, em curso de rio ou em declive de montanha; e esta poesia que aqui nos vais mostrando é sempre especial.
Um fraterno abraço
R
 
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